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CIRCO.o começo.2008

janeiro 26, 2010

“…Após alguns meses trabalhando juntos, eu e Andrade (Daniel e Ray), surgiu a necessidade de um nome que fortalecesse essa produção, e desse uma identidade a essa forma de pensamento e produção em comum, não fazia sentido nomes individuais em trabalhos que eram pensados em coletivo, é como disse Jorge Menna Barreto:

juntar-se a outros é também juntar incomformidades, parte de uma urgência de falar de coisas que não encomtram voz num movimento solo. Há somas e subtrações no grupo, as autorias são somadas e cria-se um novo autor, expandido. O grupo legitima sussurros individuais, oferece uma rede de sustentação para iniciativas que de outra forma ruinaram. (2003 Barreto citado MONACHESI, p. 2) 

Surgiu então o nome: “Circo”. Esse foi o nome escolhido por uma série de fatores que permeiam a nossa pesquisa poética. Fazemos uma crítica social, falando por exemplo, de política e valores sociais, nada diferente do que já apresentado desde a década de 70 por artistas e coletivos da época. Como disse o crítico Fernando Cochiaralle: “ainda não possuímos um novo repertório ético, político e estético que substitua o velho repertório das grandes utopias coletivas do passado” (2003, p. 5).

Nós, expectadores, somos atacados diariamente com notícias sobre corrupção e fraudes, que nos tornam verdadeiros protagosnistas de um circo, diante de tudo isso; por outro lado, o nosso trabalho age de forma irônica. Temos o objetivo de estar nas ruas, mostrando o nosso trabalho para pessoas de todos os tipos, e sabemos que muitas delas já sofrem demais com tantos problemas, porque mostrar uma arte sofrida e dura também?

Nós do “CIRCO”, somos agora palhaços por opção, com o objetivo de divertir e ironizar situações normalmente desprezíveis do nosso cotidiano. Até mesmo aqueles que cometem determinada situação representada por nós, puderam achar engraçado o que fazemos, mesmo que não o devessem. Como disse Hans Hack:

Quando se faz pintura de protesto, a tendência é ficar abaixo do nível de sofisticação do mecanismo que se esta atacando. E muito gratificante, emocionalmente, apontar o dedo para alguma atrocidade e dizer: este é o sacana responsável por isso. Mas, na verdade, uma vez exposto num lugar público, a obra só se dirige a pessoas que compartilham desse sentimento e já estão convencidas. Os apelos e condenações não fazem agente pensar. (1998 Hack citado por WOOD, HARRIS, FRASCINA, HARRISON, p. 122)

 Simples apelos e condenações podem não nos fazer pensar, mas apelos e condenações colocados de forma irônica e ambígua se tornam bem interessantes, e nos levam a pensar sim, pensar em arte, em situações. E se não servem para fazer com que os expectadores reajam contra isso de alguma forma, que sirva ao menos para deleite visual….”

“2008″

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